Petrobras vai oferecer 1500 bolsas de R$ 550 para estudantes do Ensino Médio; veja quem poderá participar
- 01 Jul 2026 - 13:42h
- Por Correio - Rede Bahia
Uma parceria inédita entre a Petrobras e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) vai oferecer bolsas de iniciação científica para 1.500 estudantes negras durante os três anos do ensino médio. A iniciativa, batizada de Projeto Inspiração, contará com investimento de cerca de R$ 32 milhões da estatal e pretende ampliar a participação de jovens pretas e pardas nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM).
O acordo foi assinado nessa terça-feira (30), em Brasília, pela gerente-geral de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, Roberta Alves Mendes, e pelo presidente do CNPq, Olival Freire Júnior. O programa será voltado para estudantes do ensino médio regular em situação de vulnerabilidade social e acompanhará indicadores como frequência escolar, desempenho, produtividade e evasão para medir os impactos educacionais e científicos da iniciativa.
Além da bolsa mensal de R$ 550, as participantes deverão criar currículo na Plataforma Lattes, desenvolver artigos científicos e apresentar seus trabalhos anualmente. Para selecionar os projetos, o CNPq lançará um edital voltado a universidades com linhas de pesquisa alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030. Entre os temas previstos estão inovação, produção sustentável de energia, tecnologias para a indústria de óleo e gás, soluções tecnológicas para melhorar a qualidade de vida e estudos sobre as transformações do planeta.
Segundo a Petrobras, o projeto tem potencial para beneficiar mais de 700 comunidades localizadas próximas às unidades da empresa, distribuídas por 141 municípios de 16 estados. O Projeto Inspiração foi criado a partir de um diagnóstico que aponta dificuldades históricas na formação de profissionais nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática no Brasil. Entre os principais desafios estão o baixo desempenho escolar, a evasão e a pequena participação de estudantes em cursos considerados estratégicos para a inovação.
A iniciativa também integra uma pesquisa do Centro de Pesquisas da Petrobras voltada à mobilização e inclusão de jovens em carreiras STEM, com o objetivo de subsidiar políticas de inclusão para estudantes em situação de vulnerabilidade social dentro da agenda de transição energética justa.
Os dados da própria Petrobras mostram o tamanho do desafio. Entre os profissionais da companhia que atuam em carreiras STEM, 87% são homens. Entre as mulheres, apenas 4,57% se autodeclaram pretas ou pardas — sendo 1,19% pretas e 3,38% pardas. As áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática são consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico e tecnológico do país, mas o Brasil ainda apresenta dificuldades na formação de profissionais.
Dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram que, apesar da ampliação do acesso à educação, o país ainda enfrenta baixos índices de aprendizagem desde a educação básica, além de evasão escolar e dificuldades para formar talentos em número suficiente para atender às demandas da transformação digital.
O cenário também aparece nos resultados do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa) de 2022. Entre 81 países, o Brasil ocupou a 65ª posição em Matemática e a 61ª em Ciências. Segundo o levantamento, 73% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível básico em Matemática e 55% em Ciências. Menos de 3% alcançaram os níveis mais altos em Matemática, enquanto menos de 6% atingiram os níveis mais elevados em Ciências.
No ensino superior, a situação também preocupa. Apenas 15,6% dos formandos brasileiros concluem cursos nas áreas de STEM, índice que coloca o Brasil na 47ª posição entre 48 países analisados.
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