A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar uma série de mortes de bebês ocorrida ao longo do ano no Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste da capital paulista. As crianças teriam contraído infecções no ambiente hospitalar e morrido em decorrência de sepse ou choque séptico, além de outras complicações.
O 8º Distrito Policial (Brás) apura seis casos, mas a reportagem teve acesso a 16 certidões de óbito. Uma advogada, que representa os pais das vítimas, disse estar em contato, ao todo, com 36 mães que perderam os filhos nos últimos meses no hospital – que integra a rede HapVida. No entanto, o número de mortes pode ser significativamente maior. “Pra todos os efeitos, na rede [HapVida] o Salvalus é o hospital referência. Então, todos os casos vão para lá. Por isso, a gente não tem noção da profundidade da quantidade de óbitos”, disse a advogada Eduarda Fragnan Gomes ao Metrópoles.
Em nota, a rede HapVida, à frente do Salvalus, afirmou que “os pacientes mencionados apresentaram condições clínicas distintas e de elevada gravidade, tendo cada um deles recebido assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de uma estrutura hospitalar de alta complexidade e atuação integrada de profissionais de diversas especialidades”.
Acordar cansado de vez em quando é algo comum. O problema é quando essa sensação passa a fazer parte da rotina. Para milhões de brasileiros, dormir deixou de ser sinônimo de descanso e se transformou em fonte de preocupação, cansaço e impactos na saúde. Segundo especialistas, a insônia não é apenas uma consequência do estresse ou de uma noite ruim. Em muitos casos, trata-se de uma doença que precisa ser tratada.
Foi o que aconteceu com Vitória, de 30 anos. Artista plástica, designer de joias e modelo, ela convive com dificuldades para dormir desde a infância. O sono leve e os despertares frequentes passaram a interferir diretamente na disposição e no humor.
A situação é semelhante à vivida por Patrick, de 35 anos, que trabalha com reabilitação física. Ele conta que passa madrugadas olhando para o relógio, preocupado em não perder a hora de acordar.
"Quando chega próximo no meu horário de levantar, aí que é pior, porque eu fico olhando a hora, de hora em hora, para não perder o meu tempo", afirma.
Os efeitos da privação de sono já chegaram ao trabalho.
Quando a falta de sono vira doença
De acordo com o psiquiatra Alexandre Azevedo, do Laboratório do Sono da USP, a insônia é caracterizada pela dificuldade de iniciar o sono, pelos despertares durante a madrugada ou pelo despertar precoce acompanhado de prejuízos durante o dia.
O sinal de alerta surge quando essa dificuldade passa a ser frequente.
"Se a pessoa tem uma dificuldade para iniciar o sono, se tem despertares no meio da noite com dificuldade para reiniciar esse sono, junto com fadiga, cansaço e outros sintomas durante o dia, isso ocorrendo três noites por semana, de uma maneira contínua durante três meses, é bem provável que essa pessoa tenha insônia", explica o especialista.
Segundo ele, nesses casos é importante procurar ajuda médica para investigar as causas do problema e definir o tratamento mais adequado.
Por que estamos dormindo tão mal?
Especialistas apontam que hábitos cada vez mais comuns ajudam a explicar o aumento das queixas relacionadas ao sono.
O cérebro funciona com base em um relógio biológico que acompanha os ciclos naturais de claro e escuro. A exposição constante à iluminação artificial e às telas de celulares, tablets e computadores, porém, pode atrapalhar esse mecanismo.
As luzes e os estímulos mantêm o cérebro em estado de alerta justamente no momento em que ele deveria desacelerar para iniciar o sono.
Remédio não é a primeira opção
Apesar de muitas pessoas recorrerem a medicamentos para dormir, os especialistas afirmam que o tratamento da insônia costuma começar por mudanças de comportamento.
"A medicação não vem antes das medidas comportamentais", afirma Alexandre Azevedo."Ela só aparecerá se algumas dessas técnicas falharem."
Entre as recomendações estão manter horários regulares para acordar, aumentar a exposição à luz natural durante o dia, evitar telas à noite, reduzir o consumo de cafeína no fim da tarde e usar a cama apenas para dormir.
Para pacientes com quadros persistentes, uma das abordagens mais indicadas é a terapia cognitivo-comportamental para insônia.
Segundo a psicóloga Kidsay Souza, o tratamento busca modificar comportamentos e pensamentos que atrapalham o sono.
Muito além do cansaço
Dormir mal não afeta apenas o humor ou a produtividade. Estudos mostram que o sono profundo é fundamental para que o cérebro realize uma espécie de limpeza natural, eliminando substâncias acumuladas ao longo do dia. Quando esse processo é interrompido repetidamente, aumenta o risco de problemas neurológicos.
Além disso, a insônia também está associada a doenças cardiovasculares.
Para quem acorda cansado todos os dias, a mensagem dos especialistas é clara: essa condição não deve ser encarada como normal. Quando a dificuldade para dormir se torna frequente e começa a comprometer a qualidade de vida, é hora de procurar ajuda.