O ex-ministro Geddel Vieira Lima foi citado em delação como possível beneficiário de parte da propina de R$ 2 milhões
- 18 Abr 2026 - 19:33h
- Por Bahia Noticia
Documentos da delação premiada de Joneuma Silva Neres, ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis - atualmente em prisão domiciliar -, revelam um complexo esquema de corrupção envolvendo o ex-deputado federal Uldurico Júnior e altas lideranças políticas. O @bahianoticias teve acesso exclusivo ao depoimento que detalha como o sistema prisional foi instrumentalizado para fins eleitorais, culminando na fuga de 16 detentos em dezembro de 2024.
O ACORDO DAS "ROSAS"
A investigação aponta que a nomeação de Joneuma foi uma articulação política de Uldurico Júnior, que está preso pela Polícia Federal desde a última quinta-feira (16). O esquema central envolvia a facilitação da fuga de lideranças da facção PCE em troca de R$ 2 milhões - valor codificado como "duas rosas". O recurso teria como objetivo sanar dívidas de campanha de Uldurico após a derrota nas eleições em Teixeira de Freitas.
REGALIAS E LOGÍSTICA
Segundo a delação, Uldurico mantinha visitas frequentes a portas fechadas com o líder da facção, Ednaldo Pereira, o "Dada". Sob a gestão de Joneuma, detentos gozavam de privilégios como alimentação diferenciada e até a realização de um velório dentro da unidade. A fuga foi executada com furadeiras para romper o teto das celas e apoio armado externo.
CAIXA DE SAPATO E PIX
Depoimentos detalham que R$ 170 mil foram pagos como "adiantamento". A ex-diretora descreveu entregas de dinheiro em espécie dentro de caixas de sapato em residências de familiares do político e hotéis. O MP também identificou transferências via Pix para contas ligadas ao ex-deputado e assessores.
CITAÇÃO A GEDDEL E CONTRAPONTO
Um dos pontos sensíveis envolve o ex-ministro Geddel Vieira Lima. Joneuma afirma que Uldurico destinaria R$ 1 milhão a Geddel, a quem chamava de "chefe". Em entrevista ao BNews, Geddel rebateu com indignação: chamou Uldurico de "inconsequente" e "irresponsável", alegando que sua relação era estritamente partidária e que seu nome foi usado para acobertar crimes.
O OUTRO LADO:
O ex-ministro da Integração Nacional do Brasil, Geddel Vieira Lima, manifestou-se na manhã deste sábado (18) após ter seu nome citado na delação premiada da ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, Joneuma Silva Neres, presa por facilitar a fuga de 16 detentos da unidade, em dezembro de 2024
Com exclusividade ao BNews, Geddel afirmou ter recebido com “indignação” a notícia de que teria feito cobranças de ao ex-deputado Uldurico Jr. para receber R$ 1 milhão pelo episódio. O cacique do MDB destacou que a sua relação com o ex-parlamentar como um quadro partidário.
“Recebo essa notícia com indignação porque eu sempre tratei esse rapaz [Uldurico Jr.] como um quadro partidário, eu diria [até] de uma forma carinhosa porque vi as deficiências dele. Ele foi deputado federal, candidato a prefeito, e agora seria candidato de novo, até saiu do partido. Sempre o tratei de forma absolutamente tranquila, serena, um quadro partidário, como trato tantos outros”, disse o ex-ministro.
Geddel comentou ainda sobre ser chamado por Uldurico de “chefe” durante as conversas do ex-deputado com Joneuma, descartando qualquer tipo de relação com a ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis.
“Esse negócio de chefe é uma forma da Bahia falar. Eu chamo muitas pessoas de chefe. [Eu] vejo agora, com tudo isso, que se trata de um inconsequente, um irresponsável, o caso dele é psiquiátrico, tem que ter tratamento psiquiátrico. Ele é envolvido com drogas, eu vi que foi apreendido drogas, depois as informações começam a surgir que ele é dependente químico, depois que acontece, começam a surgir as coisas. [Ele] é um irresponsável”, destacou.
“Nunca vi essa mulher na minha vida, essa diretora, nunca vi. Tem uma gerência zero nesse negócio de secretaria. Fica claro que [Uldurico] é uma figura usando o nome de outro, irresponsavelmente, para acobertar as besteiras, os crimes que ele tentou, que ele estava cometendo com essa mulher”, cravou.
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