Câncer que pode dar sinais na urina ainda é desconhecido por 81% dos idosos; veja os sintomas
- 04 Set 2026 - 15:00h
- Por Correio - Rede Bahia
Embora seja um importante problema de saúde pública e registre cerca de 13.110 novos casos por ano no Brasil, o câncer de bexiga ainda é pouco conhecido pela população. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença é mais frequente entre os homens, que representam aproximadamente 70% dos diagnósticos. Uma pesquisa inédita encomendada pela Pfizer e pelo Instituto Oncoguia, realizada pela Ipsos-Ipec, revela uma lacuna de informação justamente entre os grupos mais vulneráveis.
O levantamento ouviu internautas com 18 anos ou mais, das classes ABC, residentes em São Paulo capital e nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Belém, Recife, Porto Alegre e no Distrito Federal. Embora idade acima de 55 anos e sexo masculino estejam entre os principais fatores associados à maior incidência do câncer de bexiga, esses públicos apresentaram dificuldades importantes para reconhecer a doença.
Entre os internautas com 60 anos ou mais, 81% afirmaram desconhecer o câncer de bexiga ou apenas ter ouvido falar sobre ele. O reconhecimento dos sintomas também foi menor entre os participantes mais velhos. Entre as pessoas de 25 a 34 anos, 70% identificaram sangue na urina como um possível sinal de alerta. Esse percentual caiu para 55% entre os participantes com 60 anos ou mais.
Entre os homens, 57% associaram o câncer de bexiga à presença de sangue na urina. Já entre os respondentes com 60 anos ou mais, 32% não souberam reconhecer os sintomas. De acordo com o INCA, o câncer de bexiga está na 10ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes no Brasil.
“Como a doença é mais incidente entre o público 60+, percebemos o desafio de engajar e ampliar o conhecimento dessa população. Levar informação de qualidade a esse público pode ajudar a reconhecer os sinais de alerta e favorecer o diagnóstico precoce”, destaca Luciana Zapata, médica oncologista clínica e gerente médica de Oncologia da Pfizer Brasil.
Tabagismo ainda é pouco associado ao câncer de bexiga
A pesquisa também identificou uma falta de conhecimento sobre um dos principais fatores de risco da doença: o tabagismo. Mais da metade dos entrevistados apontou o histórico familiar da doença (58%) e as infecções urinárias crônicas (57%) como fatores associados ao câncer de bexiga.
O tabagismo, entretanto, apareceu apenas na terceira posição entre os fatores mais reconhecidos. Segundo o levantamento, 37% dos internautas das áreas pesquisadas sabem que fumar está associado ao desenvolvimento da doença. O dado chama atenção porque o tabagismo está relacionado a cerca de metade dos casos de câncer de bexiga.
As substâncias cancerígenas presentes na fumaça do cigarro são absorvidas pelo organismo, filtradas pelos rins e eliminadas pela urina. Dessa forma, permanecem em contato com a parede da bexiga e podem favorecer alterações celulares ao longo do tempo. Outro fator associado ao aumento do risco é a exposição ocupacional a substâncias químicas, principalmente em setores como os de tintas, borracha, couro, indústria têxtil e derivados do petróleo. Essa relação foi mencionada por 24% dos participantes.
Sangue na urina é um dos principais sinais de alerta
Apesar das lacunas de conhecimento sobre sintomas e fatores de risco, 88% dos participantes afirmaram entender que o diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento. O resultado revela um contraste: embora a maioria reconheça a importância de descobrir a doença cedo, parte significativa da população não consegue identificar os sinais que deveriam levar à investigação médica.
Isso pode favorecer o diagnóstico tardio, especialmente quando os sintomas são confundidos com problemas mais comuns, como infecções urinárias e cálculos renais. “O câncer de bexiga costuma apresentar sinais desde as fases iniciais. Sempre que houver sangue na urina, mesmo que apareça apenas uma vez e sem dor, é fundamental procurar avaliação médica. Quanto mais cedo o tumor é identificado, maiores são as possibilidades de um tratamento adequado e de melhores resultados para o paciente”, afirma Camilla Gaspari, diretora médica de Oncologia da Pfizer Brasil.
Além da presença de sangue na urina, outros sintomas podem incluir:
- dor ou ardência ao urinar;
- aumento da frequência urinária;
- urgência para urinar;
- sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
Mesmo quando os sintomas desaparecem, a recomendação apresentada na pesquisa é procurar avaliação médica para investigar a causa. Diagnóstico tardio é uma das principais preocupações Para os entrevistados, os principais desafios enfrentados por pessoas com câncer de bexiga são o diagnóstico tardio (43%), a demora para iniciar o tratamento (36%) e a falta de informação sobre os sintomas (34%). Quando questionados sobre medidas que poderiam melhorar a qualidade de vida dos pacientes, reduzir o tempo de espera para consultas e exames foi citado por 46%, enquanto melhorar o acesso ao diagnóstico precoce apareceu para 44%.
“Toda a jornada do câncer de bexiga vem acompanhada também por medos e inseguranças. Com informação de qualidade e apoio, esse momento pode ser menos dolorido e desafiador. É fundamental que as pessoas saibam mais sobre a doença, seus sintomas, opções de tratamento e consigam ter acesso ao cuidado integral na hora certa. Nenhum sintoma persistente deve ser negligenciado”, reforça Luciana Holtz, fundadora e presidente do Instituto Oncoguia.
Ampliar o conhecimento sobre os sinais iniciais do câncer de bexiga é apontado como uma das estratégias para reduzir diagnósticos tardios e melhorar os resultados do tratamento. A maior visibilidade dos fatores de risco também pode contribuir para que os sinais de alerta sejam identificados mais cedo.
Como foi feita a pesquisa?
A pesquisa quantitativa “Câncer de Bexiga: um estudo para identificar as percepções dos brasileiros sobre a doença” foi realizada pela Ipsos-Ipec a pedido da Pfizer e do Instituto Oncoguia. As entrevistas foram feitas online, por meio de um painel de internautas, entre 21 de julho e 2 de agosto de 2026. Ao todo, foram entrevistadas 1.400 pessoas com 18 anos ou mais, das classes ABC, residentes em São Paulo capital e nas regiões metropolitanas do Rio de Janeiro, Belém, Recife, Porto Alegre e Distrito Federal.
Os resultados foram ponderados para restabelecer a proporcionalidade entre as áreas pesquisadas e o perfil dos participantes. A margem de erro estimada é de 3 pontos percentuais para mais ou para menos, considerando o total da amostra e um nível de confiança de 95%.
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