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Robô amplia fronteira da cirurgia cardíaca na Bahia
Saúde

Robô amplia fronteira da cirurgia cardíaca na Bahia

Mater Dei Salvador realiza novas operações de válvulas cardíacas com tecnologia robótica e avança na implantação do programa de cirurgia cardíaca robótica na região

A cirurgia cardíaca robótica ganha mais espaço na Bahia. Neste mês de agosto, o Hospital Mater Dei Salvador (HMDS) realizou dois novos procedimentos assistidos por robô para tratar doenças das válvulas cardíacas.

As operações, em pacientes de 32 e 62 anos, dão continuidade ao programa iniciado pela instituição e ampliam, no estado, a oferta de uma modalidade minimamente invasiva ainda concentrada em centros especializados.

A paciente mais jovem apresentava doença da válvula tricúspide, enquanto a outra tinha comprometimento da válvula mitral. Nos dois casos, a indicação foi definida após avaliação criteriosa do time do coração (Heart Team) do HMDS.

Essa análise é fundamental para selecionar a melhor estratégia de tratamento individualizado para cada paciente.

Para a cardiologista Marianna Andrade, coordenadora do serviço de Cardiologia do Mater Dei Salvador, o avanço amplia as possibilidades de tratamento no estado.

“O objetivo não é usar o robô porque ele existe, mas identificar em quais situações a tecnologia realmente pode agregar benefício, sempre com indicação criteriosa e segurança para o paciente”, afirma.

Menos invasiva – Na cirurgia cardíaca convencional, muitas operações exigem a abertura do esterno para chegar ao coração. Na abordagem robótica, o procedimento pode ser realizado por pequenas incisões entre as costelas.

Robô amplia fronteira da cirurgia cardíaca na Bahia

O cirurgião permanece no comando durante toda a operação, controlando os braços do equipamento por meio de um console com visão ampliada e tridimensional do campo cirúrgico.

A tecnologia permite movimentos precisos em espaços reduzidos e pode diminuir o trauma provocado pelo acesso cirúrgico. Entre os potenciais benefícios para pacientes selecionados estão menor sangramento, menos dor no pós-operatório e recuperação mais rápida.

O robô, porém, não atua de forma autônoma nem substitui a experiência médica.

“O que muda principalmente é a forma de acesso ao coração. Os princípios da cirurgia continuam os mesmos”, explica o cirurgião cardíaco do HMDS, Marco Guedes. “A tecnologia permite realizar etapas complexas por incisões menores e com excelente visualização, mas o resultado depende da técnica, da experiência da equipe e da seleção adequada do paciente”, explica.

Válvulas do coração – As válvulas cardíacas controlam a passagem do sangue entre as diferentes câmaras do coração. Quando não abrem ou fecham adequadamente, o órgão pode ser sobrecarregado. Falta de ar, cansaço, palpitações, inchaço e perda da capacidade para atividades cotidianas estão entre os sintomas que podem aparecer em casos mais avançados.

Nos procedimentos realizados este mês no HMDS, foram tratadas justamente as válvulas tricúspide e mitral. Para pacientes adequadamente selecionados, determinadas doenças dessas estruturas podem ser abordadas por técnicas minimamente invasivas, incluindo a cirurgia robótica.

“O que interessa ao paciente não é apenas saber que sua cirurgia foi feita com um robô”, ressalta Marianna Andrade. “Ele quer tratar a doença, recuperar sua capacidade funcional e voltar à rotina com segurança. A inovação precisa estar a serviço desse resultado”, completa.

Construir um programa de cirurgia robótica é muito diferente de simplesmente realizar um caso com o equipamento”, destaca Marco Guedes. “É preciso treinamento, seleção adequada, integração da equipe e avaliação constante dos resultados”. Esse programa é realizado com o apoio e acompanhamento de especialistas da Rede Mater Dei que já possuem ampla experiência nessa modalidade de tratamento.

Nova fronteira – A ampliação do programa em Salvador também permite que pacientes da Bahia e de outros estados do Norte e Nordeste tenham acesso local a procedimentos cardiovasculares de alta complexidade antes mais concentrados em grandes centros do país.

Com os novos casos, o HMDS avança na fase de implantação para a construção de um serviço contínuo de cirurgia cardíaca robótica.

A proposta é que a tecnologia passe a integrar as alternativas disponíveis ao lado da cirurgia convencional, das técnicas minimamente invasivas e dos procedimentos por cateter.

“Não existe uma melhor técnica para todos os pacientes. Existe a estratégia mais adequada para cada pessoa. Quanto mais recursos temos disponíveis, utilizados com responsabilidade, maior é nossa capacidade de individualizar o tratamento”, resume Marianna Andrade.