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"São João não é rodeio de Barretos. Profa Help"

A afirmação "São João não é Rodeio de Barretos" provoca uma reflexão importante sobre os rumos dos festejos juninos na Bahia e em boa parte do Nordeste. Não se trata de uma disputa entre culturas regionais, muito menos de negar o valor da música sertaneja. A questão é outra: quando uma festa secular, construída ao som da sanfona, da zabumba e do triângulo, passa a ser dominada por atrações que pouco dialogam com sua tradição histórica, corre-se o risco de descaracterizar aquilo que a tornou única.

O São João no Brasil nasceu das fogueiras acesas nas comunidades, das quadrilhas, dos trios de forró, dos repentistas, dos encontros familiares e das celebrações populares que atravessaram gerações. Foi através de artistas como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro, Clemilda, Marinês e sua gente, e outros e outras..., que o Nordeste projetou sua identidade para o Brasil. 

No entanto, ao longo das últimas décadas, a lógica do entretenimento de mercado passou a ocupar espaços cada vez maiores nos festejos juninos, impulsionada por grandes produtoras, patrocínios milionários e cachês que muitas vezes superam todo o investimento destinado aos artistas locais.

Nesse processo, muitos sanfoneiros, trios pé-de-serra e grupos regionais foram sendo empurrados para horários secundários ou simplesmente excluídos das programações. A festa continua lotada, os palcos continuam gigantescos e os recursos continuam circulando, mas cresce a sensação de que algo essencial está sendo perdido: o protagonismo da cultura que deu origem ao próprio São João.

Dizer que "São João não é Rodeio de Barretos" significa defender a diversidade cultural brasileira e afirmar que cada celebração tem sua história, seus símbolos e sua memória coletiva. Assim como seria estranho substituir o samba por outro ritmo no Carnaval do Rio de Janeiro ou o frevo no Carnaval de Pernambuco, também causa estranhamento ver o forró tradicional perder espaço justamente na festa que ajudou a construir.

A pergunta que permanece ecoando é simples: se o São João deixar de ser o território da sanfona, do triângulo e da zabumba, o que restará de sua identidade? Preservar o forró não significa fechar as portas para outros gêneros musicais. Significa garantir que a cultura nordestina não se torne figurante na própria festa que criou. Afinal, uma tradição não desaparece de uma vez; ela vai sendo silenciada aos poucos, até que um dia alguém olha para o palco e pergunta: cadê o forró?.
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Joilson Bergher.
Professor/Analista Crítico de Política e Sociedade.