Brumado (BA) – Motoristas e consumidores de Brumado vêm enfrentando um verdadeiro peso no bolso ao abastecer seus veículos. O litro da gasolina comum na cidade está sendo comercializado, em média, por R$ 7,96 em praticamente todos os postos de combustíveis do município, valor considerado um dos mais altos da região sudoeste da Bahia.
A situação chama ainda mais atenção quando comparada aos preços praticados em cidades vizinhas. Em municípios próximos, a diferença no valor do combustível varia entre R$ 0,45 e R$ 1,10 mais barato por litro.
Na cidade de Aracatu, localizada a menos de 40 quilômetros de Brumado, o Posto O Pingo comercializa a gasolina a R$ 7,00, conforme comprovante fiscal obtido pela reportagem. Já no distrito de Vila Mariana, pertencente ao município de Maetinga-BA, o litro da gasolina é encontrado por cerca de R$ 6,85, valor significativamente inferior ao praticado em Brumado.
As diferenças de preços levantam questionamentos entre consumidores, principalmente pelo fato de os postos de Brumado apresentarem valores muito semelhantes entre si, sem concorrência perceptível. Para muitos moradores, a situação gera a presunção da possibilidade de existência de um suposto “cartel dos combustíveis” na cidade.
Consumidores afirmam que a uniformidade nos preços prejudica diretamente trabalhadores, motociclistas, motoristas de aplicativo, comerciantes e toda a população que depende diariamente do combustível para trabalhar e se locomover.
A AUCIB – Auditoria Pública Cidadã Baiana informou que já está preparando uma representação oficial para ser protocolada junto ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), solicitando investigação e fiscalização sobre possíveis práticas abusivas no comércio de combustíveis em Brumado.
Segundo a entidade, o objetivo é cobrar transparência na formação dos preços e apurar se há violação às regras de livre concorrência e defesa do consumidor.
“É necessário que os órgãos fiscalizadores investiguem por que Brumado mantém preços tão elevados enquanto cidades vizinhas conseguem vender o mesmo combustível por valores muito menores”, destaca a AUCIB.
A expectativa é que órgãos como o Ministério Público, PROCON, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) possam analisar a situação e verificar se existem irregularidades no mercado local.
Enquanto isso, motoristas seguem pagando caro para abastecer em Brumado, convivendo com um combustível que já é apontado por muitos consumidores como um dos mais caros da região sudoeste baiana.